Era uma simples tarde de primavera. Por motivos agora alheios ao assunto, tive que ir para Fátima com os colegas. Quando saía do Santuário, conversando com os colegas, algo roubou o meu olhar, a minha atenção da conversa que até então mantinha com os colegas. É "normal" vermos muitos pedintes à entrado do recinto do Santuário, e muitas das vezes nem lhes ligamos e passemos como se nada fosse, devido a pré - ideias que temos acerca de maior parte dos pedintes. Contudo naquela tarde, algo me marcou, magou e me fez chorar no interior. Isto quando me deparo com uma mãe (suponho) com um bébé ao colo e com mais uma filha de seis anos, mais ou menos, a seu lado a pedir... Aquelas simples palavras: "dê-me uma esmolinha", trespassaram o meu coração. Chorei para dentro de mim. O dia para mim tinha sido como que me tirado, pois não consegui pensar em mais nada em não ser naquela imagem daquele pequeno anjinho pedindo uma esmola. Prossegui com os meus colegas, calado, triste, desanimado...
Sempre que rezo, tenho em mente aquele pequeno anjo pedido neste mundo, sem direito ao que lhe é devido.